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O que a família lê da sua escola na festa junina

A festa junina reúne, no mesmo espaço e ao mesmo tempo, quase tudo o que uma escola costuma mostrar em partes. Famílias, alunos, professores, coordenação, direção, equipe de apoio. A decoração preparada ao longo das semanas. As apresentações ensaiadas. As barracas, os fluxos, as filas, os improvisos inevitáveis. O filho fora da sala, em outro
O aluno que aparece na festa

Para muitos professores, a festa junina chega primeiro como tarefa. Antes de ser música, é ensaio. Antes de ser encontro, é ajuste de horário. Antes de virar memória bonita para as famílias, é mais uma presença a sustentar num momento do ano em que o cansaço já pesa. Há figurino a conferir, apresentação a organizar,
O lugar da escola e o lugar do professor: o que pedimos demais e o que perdemos no caminho

Nas últimas décadas, a escola foi sendo convocada a responder por um número cada vez maior de faltas que não nasceram nela. Quando a rotina falha em casa, espera-se que a escola reorganize o aluno. Quando o sono não vem, que ela compreenda o rendimento baixo. Quando há tensão familiar, que acolha os estilhaços. Quando
Ninguém educa sozinho: o que a escola precisa sustentar para que o professor possa ensinar

Em determinada escola, os atrasos no início das aulas tinham se tornado frequentes. Não eram atrasos grandes. Dois, três, cinco minutos. O suficiente para interromper a abertura da aula, desfazer a concentração que começava a se formar, obrigar o professor a retomar o que tinha acabado de dizer. Cada docente reagia como conseguia. Um começava
A aluna que se perdeu em silêncio

Mariana sentava perto da janela. Tinha letra organizada, caderno aberto, olhos na lousa. Copiava quase tudo. Entregava as atividades. Não chegava atrasada, não interrompia a explicação, não fazia piada fora de hora. Durante algum tempo, isso me bastou. Há alunos que se perdem fazendo barulho. O professor se desgasta, mas vê. Eles deixam rastros claros:
Ensinar exige fôlego: por que o cansaço do professor não é só pessoal

Há um tipo de cansaço que não aparece no primeiro dia de aula. Aparece no fim da quarta hora. Aparece quando o professor percebe que precisa juntar fôlego para fazer coisas que antes saíam com mais naturalidade: recomeçar uma explicação depois de uma interrupção, voltar com paciência a uma dúvida já respondida, sustentar a turma
O que envelhece sem aviso: como escolas e professores se acomodam continuando a funcionar

O mural continuava bonito. Talvez esse fosse o problema. Ficava logo na entrada do corredor principal. Durante anos, tinha sido um dos espaços mais cuidados da escola: fotos de projetos, registros de viagens pedagógicas, convites para eventos, frases de alunos, pequenas conquistas das turmas. Naquela manhã, porém, a diretora parou diante dele e viu uma
Quem sustenta a presença do professor

Um professor pede que os alunos guardem o celular antes de começar uma atividade. Não faz discurso. Não ameaça. Apenas retoma um combinado simples, conhecido pela turma. Alguns guardam. Outros demoram um pouco mais, como sempre acontece. Um aluno no fundo continua com o aparelho na mão. O professor repete o pedido. Então vem a
O que a turma lê antes do conteúdo

O professor entra na sala com a aula pronta. Sabe por onde vai começar, que exemplo usará primeiro, em que momento passará para a lousa, que exercício ajudará a turma a testar o que foi explicado. Carrega uma sequência organizada na cabeça. Talvez tenha pensado nela no carro, talvez tenha ajustado uma passagem poucos minutos
A primeira leitura: o que a família vê na sua escola antes de você apresentá-la

Pedro entrou segurando a mão da mãe e olhando em volta com aquele silêncio de criança que ainda não sabe se quer explorar ou se esconder. A família havia chegado alguns minutos antes da visita marcada. Enquanto aguardava a coordenadora, Pedro viu um painel com desenhos expostos no corredor e perguntou: — Isso foi criança