A educação socioemocional no novo PNE está no centro do novo marco legal para as redes de ensino brasileiras.
O novo Plano Nacional de Educação traz 19 objetivos estratégicos, 73 metas de longo prazo e 372 estratégias detalhadas. Para atingi-las, as redes de ensino devem investir sobretudo em formação docente, algo que raramente acontece.
A preocupação costuma estar primeiro no aumento do escopo da escola, sem dar suporte pedagógico para quem está na sala de aula, ocupando o papel central do processo de ensino.
Neste artigo, você entenderá a relação entre valorização docente e PNE. Também conhecerá iniciativas que facilitam a adesão às diretrizes do PNE, como a metodologia Mind Lab.
O que o novo PNE exige, na prática, do professor
Na maioria das escolas, a educação ainda é vista como mera transmissão de conhecimento. E, mesmo em propostas expandidas, como os projetos de ensino integral, a lógica ainda é limitada: o aluno simplesmente passa mais horas na escola e isso passa a ser entendido como uma formação plena.
A educação socioemocional no novo PNE muda essa abordagem.
Formação integral significa, na verdade, desenvolvimento multidimensional. As escolas devem promover as habilidades intelectuais, físicas, sociais e emocionais dos estudantes.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já integrava esses aspectos às suas competências gerais. Porém, o documento não organiza metodologias socioemocionais aplicáveis.
Isso gera a sensação de que o socioemocional é algo abstrato. E pior: algo que é atribuído exclusivamente aos professores, sem que eles recebam recursos para executar.
A Mind Lab identificou essa lacuna durante a tramitação do PL 2.614/2024, que institui o novo PNE, e propôs duas emendas à Comissão Especial da Câmara dos Deputados:
- A exigência de metodologias que promovem desenvolvimento cognitivo e socioemocional;
- A inclusão de jogos de raciocínio no escopo do documento.
O texto final da lei incorporou o campo conceitual dessas propostas, entregando aos professores caminhos mais práticos para tornar a educação socioemocional no novo PNE mais executável.
Ninguém educa sozinho, e o PNE não muda isso por decreto
Expandir o escopo da escola sem ampliar o suporte ao professor é um erro. Quando isso acontece, o ônus da diferença recai sobre o docente individualmente. Como defende Cássio Mori, ninguém educa sozinho.
Um exemplo prático: em determinada escola, atrasos no início das aulas haviam se tornado frequentes. Cada professor enfrentava o problema do jeito que conseguia:
- Um começava a aula com a turma incompleta;
- Outro parava a explicação e cobrava o aluno atrasado;
- Outro avisava que o aluno não entraria, sem saber se teria respaldo para cumprir.
O professor não deveria encarar esse tipo de problema sozinho. Em vez disso, o correto é a coordenação estabelecer um protocolo coletivo, que muda a posição do professor, que passa apenas a executar o combinado.
A mesma lógica se aplica à educação socioemocional no novo PNE. Se a rede de ensino não oferece protocolos, materiais pedagógicos testados e suporte de coordenação, o professor improvisa. Ele precisa equilibrar o socioemocional com outras atividades que já realiza, como de planejamento, correção e atendimento a famílias.
Nasce daí a sobrecarga docente e a dificuldade em lidar com o seu próprio desenvolvimento socioemocional.
A partir da atualização da NR-1, a responsabilidade das escolas passou a ser também jurídica. Sob as novas diretrizes, fatores de risco psicossocial no trabalho, como sobrecarga crônica, pressão desproporcional por resultados e falta de apoio institucional, devem ser formalmente identificados e geridos no Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais de cada escola.
O que muda quando o professor tem metodologia estruturada
Com a estrutura adequada, o professor deixa de ser um “improvisador do socioemocional”. Ou seja, as habilidades sociais e emocionais dos estudantes são desenvolvidas independentemente da iniciativa individual de cada docente.
Mas, para que isso ocorra, é necessário ter um currículo planejado, com materiais testados e alinhados à BNCC.
O programa Mente Inovadora, desenvolvido pela Mind Lab desde 2006, é um dos exemplos que já está sendo aplicado em todas as regiões do país.
Por meio de jogos de raciocínio usados como simulações da realidade e espaços controlados de interação social, o programa entrega ao professor uma estrutura pedagógica que desenvolve funções executivas e habilidades socioemocionais.
Redes que implementaram a metodologia registraram crescimento médio de 0,8 ponto no Ideb, resultado superior à média nacional.
Além da metodologia, a formação docente também impacta, e é contemplada no Mente Inovadora.Antes de trabalhar o socioemocional dos alunos, o docente precisa compreender a si mesmo e ao outro, identificar os seus próprios limites, aprender a mediar conflitos e a se comunicar com assertividade.
Este é o conceito de letramento humano. A rede municipal de Vitória da Conquista, parceira da Mind Lab, traduziu essa abordagem em quatro medidas:
- Ampliação do tempo reservado ao planejamento docente;
- Destinação de um terço da carga horária contratual para atividades complementares e de formação;
- Criação do Centro Municipal de Formação Educacional Permanente;
- Parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia para implementação de justiça restaurativa nas escolas.
A valorização docente deve ir além do discurso
A valorização docente não pode ficar só no discurso e na subjetividade. Também é necessário oferecer suporte concreto, com remuneração justa e acesso à formação adequada.
O programa #TôComProf, do Ministério da Educação, é um exemplo de iniciativa. Ela mobiliza parcerias em todo o território nacional para garantir benefícios aos professores das redes públicas.
A Mind Lab participa por meio da plataforma eduK, garantindo 50% de desconto em qualquer curso da base para docentes da rede pública.
O que os gestores precisam fazer agora?
A responsabilidade das redes de ensino é criar as condições para que professores possam cumprir as obrigações da educação socioemocional no novo NPE.
O professor só consegue ensinar com presença quando sabe que, diante do que ultrapassa sua função, existe um fluxo de encaminhamento funcionando. É nesse ponto, na capacidade institucional de sustentar quem ensina, que uma rede de ensino pode realmente atender às diretrizes da BNCC e do PNE.
Sobre a Mind Lab. A Mind Lab é uma empresa de tecnologia educacional socioemocional com duas décadas de atuação em redes públicas e privadas no Brasil e em mais de vinte países. Criadora do Programa Mente Inovadora e outras soluções, desenvolve competências socioemocionais e cognitivas por meio de jogos de raciocínio, métodos metacognitivos e formação de professor mediador, com resultados validados por pesquisas da Universidade de Yale, do BID e do Instituto Ayrton Senna. Mais informações em mindlab.com.br.
