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A aluna que se perdeu em silêncio

Mariana sentava perto da janela. Tinha letra organizada, caderno aberto, olhos na lousa. Copiava quase tudo. Entregava as atividades. Não chegava atrasada, não interrompia a explicação, não fazia piada fora de hora. Durante algum tempo, isso me bastou. Há alunos que se perdem fazendo barulho. O professor se desgasta, mas vê. Eles deixam rastros claros:
Ensinar exige fôlego: por que o cansaço do professor não é só pessoal

Há um tipo de cansaço que não aparece no primeiro dia de aula. Aparece no fim da quarta hora. Aparece quando o professor percebe que precisa juntar fôlego para fazer coisas que antes saíam com mais naturalidade: recomeçar uma explicação depois de uma interrupção, voltar com paciência a uma dúvida já respondida, sustentar a turma
O que envelhece sem aviso: como escolas e professores se acomodam continuando a funcionar

O mural continuava bonito. Talvez esse fosse o problema. Ficava logo na entrada do corredor principal. Durante anos, tinha sido um dos espaços mais cuidados da escola: fotos de projetos, registros de viagens pedagógicas, convites para eventos, frases de alunos, pequenas conquistas das turmas. Naquela manhã, porém, a diretora parou diante dele e viu uma
Quem sustenta a presença do professor

Um professor pede que os alunos guardem o celular antes de começar uma atividade. Não faz discurso. Não ameaça. Apenas retoma um combinado simples, conhecido pela turma. Alguns guardam. Outros demoram um pouco mais, como sempre acontece. Um aluno no fundo continua com o aparelho na mão. O professor repete o pedido. Então vem a
O que a turma lê antes do conteúdo

O professor entra na sala com a aula pronta. Sabe por onde vai começar, que exemplo usará primeiro, em que momento passará para a lousa, que exercício ajudará a turma a testar o que foi explicado. Carrega uma sequência organizada na cabeça. Talvez tenha pensado nela no carro, talvez tenha ajustado uma passagem poucos minutos
A primeira leitura: o que a família vê na sua escola antes de você apresentá-la

Pedro entrou segurando a mão da mãe e olhando em volta com aquele silêncio de criança que ainda não sabe se quer explorar ou se esconder. A família havia chegado alguns minutos antes da visita marcada. Enquanto aguardava a coordenadora, Pedro viu um painel com desenhos expostos no corredor e perguntou: — Isso foi criança
A escola também ensina pelo modo como responde à pressão.

Uma escola não perde autoridade porque escuta uma família. A questão começa depois: o que a escola faz com aquilo que escuta?Há perguntas de famílias que ajudam a escola a enxergar melhor. Há reclamações que revelam falhas reais. Há situações em que a instituição precisa rever um procedimento, uma comunicação, uma decisão ou até o
